"eu, que até meia noite passada era
um poço fundo de orgulho e nariz em pé, me vi apressada, descendo
rapidamente a escadaria dos teus caprichos. Eu, que até meia noite
passada imperava, ditava, regrava o ser ou não ser, agora espero a luz
pra acender, a louça pra lavar, o destino seu vir me buscar, encontrar, reencantar,
entrelaçar de uma só vez e pra nunca mais desmanchar. E eu que sempre
tive um pé atrás, uma pulguinha atrás da orelha com isto, com aquilo e
com tudo o que vem assim, fácil demais ou problemático demais, me atiro
agora sem medo, me jogo sem delongas, me permito sem receio. Deixa
fluir. E se eu, até meia noite passada duvidei, agora sei que é certo,
concreto, factual e desesperador: não tem mais volta."
São 8 minutos para daqui a pouco. Dias com prazo, com tempo marcado, cronometros e ... Já são 7 minutos. O tempo passa mais rápido nesta caixa de letras, fotos, videos e puro marketing. São janelinhas piscantes, pingos de sons e já são ... 6 minutos para daqui a pouco. E eu amo um nome como se não conhecesse nenhum outro, Irene, quero ver Irene dar sua risada. Super disse não, mas tudo bem. 5 minutos e nada do chá ruim acabar. E as idéias fogem. E o tempo urge. E eu só penso em Irene e na sua risada. Com o relógio apontando que só faltam 4 min e esse ensaio de tempo marcado não vai pra muito longe. Entre uma golada e outra, entre uma notificação e outra, vou contando o que podemos fazer ou pensar em poucos minutos. Batem 3 minutos e a caneca ainda não esvaziou, já sei que terei que dar aquela golada que bate no estômago e volta. A vida sem açúcar é mais saudável, tento me convencer nos últimos 2 minutos do dia. Porque daqui a pouco, terei meu dia em off, as horas produtivas...
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