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Once


As vezes eu lembro que os dias correm, e já não sinto a leveza do "que é que tem?quando temos mais a vida toda?", talvez porque não tenho mais a vida toda. Esses dias com data pra acabar chegam a irritar de tão tensos. Sabe eu vi em um filme, duas vidas partindo por caminhos opostos, vi que o mesmo que os unia lhe separavam, e vi minha vida contada pro mundo, cantada em mp3 pela internet, ouvi pessoas comentando, ninguém riu, nínguém falou nada quando eu passei, apenas pensaram, agora eu entendo e na verdade não entendem, quando um anjo sair da sua vida, não tente voar, você pode não ter asas e você pode não enxergar tudo e pode cantar uma música toda vez que uma lágrimar escorregar pela sua face, pode cantar uma música quando estiver chegando a hora de rever e de lhe contar sobre as coisas da vida e tentar reconquistar tudo que se perdeu com a distância. Quando te senti pela última vez numa nota musical, quando dancei com sua música, quando gritei com o peso de suas cordas, você não viu, não viu que estaria ali, bem a sua frente, cantando até o último minuto, bebendo a última cerveja antes do amanhecer, e pedindo pro sol demorar de nascer pois quem sabe ali não seria o nosso último encontro, e não foi. E quando o dia se aproxima sinto o frio na barriga, as pernas bambas, dói cada parte do meu corpo, se eu pudesse mudar o que já estava predestinado? e se eu pudesse sentir você aqui todos os dias? e se eu sentisse o calor de sua voz ao meu ouvido todas as manhãs? como seria se não tivesse que ser assim? talvez não teria nenhuma graça nem beleza alguma em ver filmes como esse. talvez não chorasse ao saber que daqui a pouco nada será como agora.

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